Em nota, a prefeitura de Guanambi disse que os familiares da envolvida foram notificados e procuraram ajuda profissional para ela. “Mesmo a jovem não tendo conseguido acesso à unidade, o fato foi relatado ao diretor da UPA, para conhecimento da situação”, diz o texto.
Mesmo sem quantidade expressiva de casos, projetos contra bebês reborn foram apresentados nas esferas federal, estadual e municipal. Segundo levantamento feito pela startup de inteligência de dados governamentais Inteligov, a pedido do UOL, há propostas nesse sentido tramitando na Câmara dos Deputados; nas Assembleias Legislativas de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Espírito Santo e Alagoas; e também nas Câmaras Municipais de Salvador, Curitiba, Cuiabá, Vila Velha (ES) e seis cidades paulistas: além da capital, Santo André, Americana, Guarujá, São José dos Campos e Santa Bárbara D’Oeste.
Projetos fixam multas de até R$ 50 mil para quem levar bonecos a unidades de saúde para atendimento. Com teor semelhante, os textos em geral justificam que a prática pode colocar em risco a vida de pessoas reais que precisam do serviço médico e ainda representa desperdício de recursos públicas. Há propostas também para proibir que os bebês reborn tenham prioridade em filas, obtenção de gratuidade no transporte público e obtenção de benefícios voltados para crianças reais.
Ofensiva vem de parlamentares de direita e extrema direita. Os projetos foram apresentados por políticos de partidos como PL, Republicanos, União Brasil, Podemos e PP. Só na Câmara de Salvador a iniciativa veio de uma vereadora do PDT, sigla de esquerda, mas que faz parte da base do prefeito Bruno Reis (União Brasil), principal adversário do PT na capital baiana.
Na maior parte das propostas, parlamentares apresentam justificativas genéricas, dizendo haver “casos crescentes” de tentativas de atendimento. Em um dos poucos que citam exemplos, o deputado goiano Zacharias Calil (União-GO) menciona um episódio que teria acontecido em Janaúba, no interior de Minas Gerais, em que uma adolescente teria buscado atendimento para seu boneco em um hospital público. O deputado estadual pelo Espírito Santo Denninho Silva (União Basil) citou o mesmo caso.
Incidente, porém, não é real. A influenciadora Yasmin Becker publicou, no fim de abril, um vídeo em que mostra seu boneco ultrarrealista em um hospital, mas ela explicou depois que foi lá para visitar o filho recém-nascido de uma amiga, e aproveitou a ocasião para gravar as imagens. Até ontem, o vídeo tinha mais de 15 milhões de visualizações só no TikTok, e foi republicado inúmeras vezes, sem contexto.