ANÁLISE: A provável polarização entre Cícero e Efraim na disputa pelo governo e a difícil situação de Lucas Ribeiro

O encontro de Cícero Lucena (PP) com vereadores e secretários, na noite desta quarta-feira (3), na chamada “Toca da Coruja”, não foi apenas uma reunião de rotina política. Foi um sinal claro de que as eleições de 2026 já começaram a ser desenhadas, e que a polarização tende a se consolidar entre Cícero e o senador Efraim Filho (União Brasil), deixando Lucas Ribeiro (PP) cada vez mais isolado. A reunião de ontem aconteceu semanas após o movimento do senador Efraim que recebeu o apoio do PL e da família Bolsonaro.

Lucas Ribeiro tem demonstrado dificuldade de crescimento nas pesquisas. Com uma breve carreira política, foi vice de Bruno em Campina Grande e agora é vice de João Azevêdo no Governo do Estado. Em abril, colocou seu nome na disputa, contratou agência de marketing político, participa de todas as agendas oficiais da gestão, mas o seu projeto simplesmente não decolou. Pelo menos não tem influenciado nas pesquisas, alcançando apenas 7 pontos percentuais, ficando em quarto lugar na disputa. A falta de confiança nos Ribeiros, somada à ausência de liderança efetiva de Lucas, pesa contra sua pré-candidatura.

Outro ponto importante é a federação partidária. A chamada “Super Federação”, que reúne União Brasil e Partido Progressista, que deve escolher o nome para a presidencia em breve. Com a aproximação dos Ribeiros de Lula e do campo governista, e o movimento recente feito da federação para a oposição, determinando que todos os filiados de mandato entreguem os cargos no governo federal, deve colocar o senador Efraim Filho no controle da União Progressista na Paraíba. Se isso se confirmar, Efraim terá nas mãos um poderoso instrumento político e eleitoral para 2026.

Enquanto isso, Cícero avança. Conta com o apoio de vereadores da Capital, tem o respaldo de prefeitos pelo interior e, em João Pessoa, já tem ao seu lado o vice-prefeito Léo Bezerra, que sinalizou disposição de tocar a gestão e apoiar seu projeto ao governo. Essa base sólida dá musculatura para que Cícero chegue competitivo na disputa.

A leitura, a preço de hoje, é que a eleição estadual terá segundo turno. O cenário mais provável é um confronto direto entre Cícero e Efraim, com Lucas Ribeiro espremido no meio, sem conseguir se impor como articulador ou liderança de peso. Os Ribeiros não inspiram confiança. E, ao que tudo indica, caminham para perder espaço na política paraibana.

O tabuleiro ainda pode mudar, política é feita de movimentos inesperados. Mas, neste momento, a polarização entre Cícero Lucena e Efraim Filho, que aparecem liderando as pesquisas recentes, parece o desenho mais nítido para 2026.

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