
ANÁLISE: Com menos ruído e mais articulação, Efraim avança somando forças na Paraíba
Na política, há momentos em que discursos perdem importância e os fatos passam a falar mais alto. Na Paraíba, esse momento parece ter chegado. Enquanto alianças se dissolvem, apoios evaporam, mudam de lado, a pré-candidatura de Efraim Filho segue fazendo o básico que costuma dar certo em eleição majoritária: somar, agregar e ocupar território.
Do outro lado, o que se vê é um processo contínuo de esfarelamento político, com bases migrando de um lado para o outro na velocidade da luz.
Na Grande João Pessoa, por exemplo, Cicero Lucena chegou a contar com o apoio de duas figuras centrais da política de Cabedelo: o então prefeito Andre Coutinho e o ex-prefeito Vitor Hugo, à época presidente estadual do Avante. O problema é que a política não perdoa fragilidades. André Coutinho foi cassado. Vitor Hugo tornou-se inelegível. E quem assumiu a prefeitura foi Edvaldo Neto, hoje aliado político de Lucas Ribeiro. Cícero perdeu Cabedelo, Lucas herdou o apoio institucional.
Em Campina Grande, Lucas Ribeiro perde um de seus principais quadros eleitorais com a saída de Jhony Bezerra, segundo mais votado na cidade nas eleições de 2024, responsável por levar a disputa ao segundo turno e dono de uma votação expressiva na Rainha da Borborema. Jhony, que foi aliado histórico de João Azevêdo e Lucas, agora migra para o campo político de Cícero. Ou seja, Lucas perde base justamente onde mais precisava consolidar presença.
Enquanto isso, Efraim segue fazendo o oposto.
Em Campina Grande, conta com o apoio do prefeito Bruno Cunha Lima, liderança com mandato, estrutura e influência real no segundo maior colégio eleitoral do estado.
Em João Pessoa, tem como aliado Marcelo Queiroga, segundo colocado na eleição municipal de 2024, nome que desponta como candidato ao Senado e que mantém forte recall eleitoral na capital, além de projeção estadual por ter sido ministro do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de manter diálogo com Ruy Carneiro, que saiu em terceiro lugar na disputa pela prefeitura de João Pessoa, com quase 70 mil votos.
Em Cabedelo, Efraim constrói base sólida com Walber Virgolino, nome consolidado da oposição na disputa pela prefeitura do município nas eleições suplementares de abril.
Enquanto Lucas e Cícero perdem aliados, veem suas bases migrarem, Efraim segue no movimento inverso: agregando apoios de prefeitos, lideranças regionais e nomes competitivos nos principais polos eleitorais da Paraíba.
Na política, não existe vácuo. Quando um campo se fragmenta, outro ocupa espaço. Efraim Filho avança silenciosamente, somando apoios, consolidando território e redesenhando, peça por peça, o tabuleiro da sucessão estadual.

