Atleta trans é ameaçada após ir em formatura de namorado militar

Ela conta que não teve nenhum tipo de restrição do Exército referente a sua presença na cerimônia formal, muito menos na formatura. Em seu relato, a atleta fala que, quando chegou em casa, começou a receber diversos áudios com agressividade. Pela sua segurança e do namorado, ela registrou um boletim de ocorrência.

“Chorei duas horas sem parar ao ouvir. Se era para ser uma brincadeira, virou um crime. Eram palavras transfóbicas, absurdas, ameaças. Por que isso? Só porque sou trans… Jamais um relacionamento tem que interferir na imagem de um militar. O que ele faz na caserna diz respeito à sua função. O que faz fora é sua vida particular”, disse Thaynna ao jornal O Globo.

Lucas, de 24 anos, e Thaynna, de 33 anos, estão juntos há três anos e estão noivos. O Terceiro Sargento pediu a atleta em casamento ainda esse ano. Quando começou os estudos na Escola de Sargentos do Exército, ele já namorava Thaynna e nunca se abalou com a reação negativa dos colegas. Durante a entrevista, eles lembraram de uma frase específica: “Lá vem o aluno entrando na ESA com seu travequinho”.

“Cheguei a entrar no grupo de Whatsapp de mulheres e namoradas de militares. Todas doidas para casar. Não sabiam que eu era trans. Aí veio a frase: ‘Lá vem o aluno entrando na ESA com seu travequinho’. Como era aluno, não denunciei. Desde essa época, já tinha preconceito. Soube agora que uma menina pesquisou foto minha no Google e encaminhou as fotos que descobriu em outro grupo. O preconceito ia ter de qualquer jeito, mas Lucca é totalmente de boa com isso. À noite, no baile de formatura, a mãe disse: ‘nossa, tá lindíssima’. Estávamos tão felizes que só queríamos curtir. Independente de olhares. Quando me viram pessoalmente, devem ter pensado: ‘é um casal normal’”, relatou.

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