Edvaldo Neto nega conhecer servidor investigado por tráfico, mas fotos expõem proximidade entre gestão e crime organizado em Cabedelo

O candidato a prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto, afirmou que não conhecia um servidor da sua gestão, investigado por tráfico de drogas, mas registros em fotografias e informações oficiais colocam a versão sob questionamento. Durante entrevista ao Bom Dia Paraíba, o candidato Edvaldo negou qualquer vínculo e disse que só tomou conhecimento após o avanço das investigações. “Se eu soubesse antes, teria tomado providências”, declarou.

O servidor, identificado como Tanison da Silva Santos, atuava na Secretaria de Cultura e recebia cerca de R$ 5,7 mil mensais, permanecendo na estrutura da prefeitura durante os três meses da gestão de Edvaldo Neto. A exoneração só ocorreu após a deflagração de uma operação policial contra uma organização criminosa que atua em Cabedelo, que cumpriu dezenas de mandados de prisão e investigação por tráfico de drogas, homicídios e outros crimes graves.

Apesar da negativa pública, imagens que circulam nas redes mostram Tanison ao lado do candidato a prefeito Edvaldo Neto e  integrantes do seu grupo político, em registros recentes que demonstram convivência e apoio, contrariando o discurso de desconhecimento apresentado na entrevista.

O caso ganha dimensão política por dois fatores centrais: a permanência do servidor na gestão até a operação policial e a contradição entre a fala do candidato Neto e os registros públicos. O tema da segurança pública e da atuação de facções voltou ao centro do debate eleitoral na cidade.

Cabedelo, cidade que já viveu vários escândalos envolvendo a infiltração do crime organizado na prefeitura e na política. Casos anteriores levaram à cassação de gestores e à inelegibilidade de ex-prefeitos, decisões que foram confirmadas pela Justiça Eleitoral, inclusive em instâncias superiores.

A permanência do servidor até a operação e a negativa pública de conhecimento devem seguir sendo exploradas politicamente. A eleição em Cabedelo, mais uma vez, passa a girar em torno de uma pergunta sensível: quem, de fato, controla os bastidores do poder na cidade?

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