Em live para mostrar “provas” de fraude na eleição, Bolsonaro admite: “Não temos”

Conforme já era esperado, o presidente Jair Bolsonaro não cumpriu a promessa de mostrar “provas” de suposta fraude eleitoral que teria ocorrido nas eleições de 2018 e 2014 durante transmissão ao vivo realizada nesta quinta-feira (29). O mandatário usou o tempo para mostrar vídeos desconexos, fazer campanha eleitoral antecipada para 2022 em TV pública, e insinuações contra o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso.

Após Bolsonaro ficar cerca de 40 minutos repetindo o mesmo discurso que sempre faz, o governo exibiu um vídeo de um youtuber que simula uma urna eletrônica. Sem qualquer explicação mais aprofundada, o vídeo mostra “votos” sendo alterados a partir de uma programação em uma animação.

Não há qualquer análise de código-fonte ou do sistema da urna eletrônica, apenas uma animação com votos sendo alterados, o que não pode ser considerado prova ou indício de fraude.

Mas isso bastou para Bolsonaro fazer seu jogo de cena. “Não temos provas, vou deixar bem claro, mas indícios de que eleições para senadores e deputados podem ocorrer a mesma coisa”, disse.

Na sequência, foram exibidos vídeos de eleitores que diziam ter outro voto sendo registrado na urna – o que não tem comprovação de ter ocorrido.

Uma terceira tese envolve a apuração na região Sudeste. Segundo a dupla, Bolsonaro deveria ter ganho em primeiro turno com os votos da região levando em conta a apuração com 10%. Ele exibiu comentários da GloboNews ara sustentar a tese.

“Pode o programador decidir por um número de votos para um candidato e para outro e, como um teve muito voto, o outro ganhar a eleição”, disse Bolsonaro.

“‘Ah, não em prova que houve fraude’. Também não há [prova] de que não há”, completou.

O ex-presidente Lula foi alvo de muitos ataques, em total clima pré-eleitoral. O presidente usou bastante o tempo para elogiar seu próprio governo.

Barroso

No início da exibição, transmitida ela TV Brasil, Bolsonaro ficou fazendo insinuações contra o presidente do TSE. “Por que a ferocidade do presidente do TSE em não querer falar sobre uma contagem pública de votos? Qual foi o poder de persuasão do Barroso [com a Câmara]?”, questionou. Na sequencia, o presidente disse ainda que Barroso “interfere no Poder Legislativo”.

“Onde quer chegar esse homem que preside o TSE? Quer a inquietação do povo? Quer que movimentos surjam no futuro que não condizem com a democracia? “Por que o presidente do TSE quer manter a suspeição sobre as eleições? Quem ele é? Por que continua interferindo? Com que poder? Não quero acusá-lo de nada, mas algo muito esquisito acontece”, disse ainda.

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