Governo Trump suspende agendamentos de visto estudantil para os EUA

Ação congela entrevistas em consulados no exterior enquanto amplia vigilância em redes sociais de solicitantes

No comunicado, inicialmente divulgado pelo site Politico, Rubio afirma que as entrevistas já marcadas poderão ocorrer conforme as diretrizes atuais, mas que as vagas disponíveis que ainda não foram preenchidas devem ser removidas.

“O Departamento está conduzindo uma revisão das operações e processos atuais de triagem e verificação de candidatos aos vistos de estudante e intercâmbio (F, M, J), e com base nessa revisão, planeja emitir diretrizes sobre a ampliação da checagem de redes sociais de todos esses candidatos”, afirma o documento.

A porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, recusou-se a comentar o conteúdo do memorando, mas afirmou em entrevista coletiva que os EUA usarão “todas as ferramentas possíveis para avaliar quem está vindo, seja estudante ou não”.

O comunicado também orienta que os consulados mantenham o foco nos serviços a cidadãos americanos, vistos de imigrantes e prevenção de fraudes.

Autoridades do governo Trump afirmaram que estudantes e detentores de green card podem ser deportados por apoiarem palestinos e criticarem a atuação de Israel na guerra em Gaza, argumentando que tais manifestações ameaçam a política externa dos EUA e os acusando de serem pró-Hamas. Críticos do governo classificaram essas medidas de um ataque à liberdade de expressão garantida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA.

Mahmoud Khalil, ex-aluno da Universidade Columbia de origem palestina, está detido pelas autoridades de imigração desde março, mesmo sendo portador de um green card e casado com uma cidadã americana. A prisão ocorreu após sua participação em protestos pró-Palestina no campus da universidade.

Além dele, uma estudante turca da Universidade Tufts ficou detida por mais de seis semanas em um centro de imigração na Louisiana após escrever um artigo de opinião criticando a resposta da universidade à guerra em Gaza. Ela foi libertada sob pagamento de fiança após decisão de um juiz federal.

Na semana passada, o governo Trump também revogou a autorização da Universidade Harvard para matricular estudantes internacionais. Esses cerca de 6.800 alunos representam cerca de 27% da população estudantil total da instituição. A decisão, no entanto, foi bloqueada por uma juíza federal, e o caso voltara à corte na próxima quinta-feira (29).

O governo republicano busca enfraquecer a estabilidade financeira e o prestígio global da universidade mais antiga e rica do país após sua resistência às exigências de mudanças profundas em suas políticas.

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