Bruno Cunha Lima sinaliza apoio a Efraim para o governo e acredita que ele vá para o segundo turno com Cícero

A participação de Bruno Cunha Lima no podcast de Márcio Rangel revelou bem mais do que uma opinião isolada sobre o cenário de 2026. Ao afirmar que “eleição não é retrato, é análise de projeção” e projetar que “não se surpreenda se Cícero e Efraim chegarem ao segundo turno”, Bruno entregou uma leitura política carregada de intenção, respaldada por quem já venceu repetidas eleições: vereador, deputado estadual e duas vezes prefeito de Campina Grande, a segunda maior cidade da Paraíba. Não é uma fala qualquer. É uma sinalização, um posicionamento.

O gesto de Bruno tem um efeito imediato: coloca o nome de Efraim Filho na rota central da disputa estadual ao mesmo tempo em que, de maneira sutil, exclui Lucas Ribeiro do horizonte competitivo. Numa disputa em que narrativa pesa tanto quanto estrutura, ficar fora da projeção de um líder com lastro eleitoral desse porte é, por si só, um enfraquecimento.

Quando Bruno afirma “não escondo de absolutamente ninguém que eu tenho uma preferência” e completa dizendo que ela se dá por “relação pessoal, política, de coerência e partidária”, ele crava o alinhamento que parte do campo oposicionista esperava e que outra parte ainda tentava adiar. A frase não só reforça Efraim como polo alternativo ao governador João Azevêdo e à própria divisão interna entre Cícero e Lucas, mas também empurra aliados e indecisos para uma reorganização mais rápida das forças.

Há ainda um ponto estrutural na fala de Bruno que projeta mais do que preferência. Ele constrói sua análise em torno do conceito de liderança. Diz que o eleitor busca alguém que tenha posição e que seja capaz de conduzir o processo, não ser conduzido. Esse trecho, embora não cite nomes além de Efraim, funciona como uma crítica implícita à dependência estrutural que recai sobre Lucas após o desgaste dentro do próprio grupo. Bruno sugere que o eleitorado quer comando, não continuidade passiva.

Ao repetir várias vezes o “não se surpreenda”, Bruno não descreve um cenário; ele tenta construí-lo. A operação narrativa é clara: se consolidar desde já a imagem de uma disputa polarizada entre João Pessoa e Campina Grande, entre Cícero e Efraim, a tendência é que o eleitor comece a enxergar a eleição sob esse filtro, diminuindo o espaço para alternativas intermediárias. E é justamente aí que Lucas perde lugar antes mesmo do início oficial da corrida.

A exclusão de Lucas, feita pelo silêncio e não pela crítica, foi talvez o gesto político mais forte da conversa entre o prefeito Bruno. E isso vindo de quem tem vitória suficiente no currículo para que sua análise pese mais do que a média.

 

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