
Cabedelo e a difícil herança da gestão de Vítor Hugo
Quando se fala em “herança administrativa”, poucos exemplos são tão claros quanto o que Cabedelo enfrenta após a saída de Vítor Hugo da prefeitura. O atual gestor, André Coutinho, assumiu em um cenário delicado, marcado por desequilíbrio fiscal, desgaste político e problemas judiciais que ainda repercutem no dia a dia da cidade.
O maior entrave está nas contas públicas. A gestão anterior deixou um quadro de despesas acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, com gastos de pessoal próximos a 89% do teto permitido. Somado a isso, a cidade enfrenta queda na arrecadação, estimada em R$ 120 milhões apenas em 2025.
Nos três primeiros meses do ano, a prefeitura gastou R$ 24 milhões a mais do que arrecadou e ainda herdou cerca de R$ 65 milhões em dívidas com fornecedores. Para equilibrar as contas, a nova administração precisou adotar medidas duras, como revisão de contratos e contingenciamento de despesas.
Além das finanças, há o desgaste político. Parte dos aliados de André Coutinho defende que ele se distancie do antecessor, sob o argumento de que manter vínculos com Vítor Hugo pode comprometer sua própria gestão. A influência da administração anterior ainda reverbera nos bastidores e gera pressão constante sobre o atual prefeito.
Outro ponto sensível é o desdobramento de investigações que atingiram diretamente a política local. A Justiça Eleitoral cassou os mandatos de André Coutinho e da vice-prefeita, além de declarar a inelegibilidade de Vítor Hugo por oito anos. O caso tem origem em ações do Ministério Público Eleitoral, que apontaram práticas irregulares em campanhas, como abuso de poder político e captação ilícita de votos.
Essas decisões fragilizam não apenas os envolvidos, mas também a imagem da cidade, que segue marcada por incertezas jurídicas e eleitorais.
Diante desse cenário, é inegável que André Coutinho assumiu uma gestão cercada de desafios. A tarefa agora é encontrar equilíbrio: ao mesmo tempo em que enfrenta o passivo herdado, precisa sinalizar que a cidade tem condições de virar a página.
Cabedelo não pode permanecer presa ao passado. Austeridade, transparência e responsabilidade fiscal são medidas urgentes, mas o desafio maior é recuperar a confiança da população, que quer do prefeito atual mais do que explicações: quer soluções definitivas para os problemas da cidade.

