Médico humilha e ameaça enfermeiro na frente de pacientes: ‘inferiorzinho, enfermeirozinho’

Um médico discutiu e xingou um enfermeiro na frente de pacientes e outros profissionais, durante o plantão do último domingo (29) no Pronto Atendimento Cosme e Silva, localizado no bairro Pintolândia, em Boa Vista. O profissional da medicina saiu do consultório e foi até o posto de enfermagem gritando e xingou o enfermeiro de “enfermeirozinho”, além de dizer que ele deveria voltar para a Venezuela, seu país de origem, graças a um questionamento de enfermeiro sobre a dosagem de medicamento.

O incidente foi filmado por pessoas que não estavam locais. A discussão teria ocorrido porque o médico teria prescrito uma dosagem de dipirona e, uma vez alertado por um técnico de enfermagem, o enfermeiro resolveu questionar a quantidade, segundo informa o Coren-RR (Conselho Regional de Enfermagem de Roraima).

Após o vídeo se espalhar, o médico foi obtido do trabalho. O caso está sendo apurado pela direção da unidade hospitalar e pela Sesau (Secretaria de Saúde da Saúde de Roraima). Os nomes dos envolvidos não foram divulgados. O UOL tentou localizar as partes envolvidas, mas não obteve sucesso e deixa o espaço aberto para manifestações de ambos.

A discussão pública foi gravada por pacientes. O médico, de camisa azul, pode ser ouvido se escolher ao enfermeiro, de jaleco branco, mandando que ele volte para seu país de origem. “Volte para a Venezuela. Vai pro (sic) teu país”, diz, exaltado, o profissional, se aproximando da vítima.

“Você não vem me tocar, não”, defende-se o enfermeiro. De acordo com as imagens, o médico segue ameaçando o enfermeiro dizendo que é faixa-preta de jiu-jitsu. “Se eu te tocar, eu vou colocar você no chão”, afirma. O enfermeiro responde “Ah, meu Deus”, enquanto fica acuado por trás do balcão de atendimento.

O médico continua discutindo e diz que vai voltar a trabalhar. “Vá para seu consultório”, responde o enfermeiro, em tom tranquilo. O médico então continua os gritos e chama o profissional de “enfermeirozinho”. “Sim, senhor. A medicina vai prestar continência ao enfermeirozinho. Sim senhor, enfermeirozinho”, agride, ironizando o profissional de saúde.

O enfermeiro responde: “você não tem o direito de vir me ofender”. Em resposta, ele ouve repetidas vezes “foda-se, foda-se”.

Manifestações

O Coren-RR afirmou que lamenta que o enfermeiro, ao professar sua função, “foi vítima de várias declarações e ofensas proferidas” feitas por um médico plantonista. O conselho pedido respeito aos profissionais de enfermagem e destacou que “repudia todo e qualquer ato de desrespeito.”

“Os profissionais de enfermagem, que estão na linha de frente contra a pandemia, não merecem esse tipo de tratamento e, muito, além de uma ofensa, é importante frisarmos a valorização e o respeito a cada profissão”, destaca em nota.

O Coren-RR afirma ainda que reitera o repúdio ao discurso do médico e afirma que o profissional “desconhece os limites de sua atuação” e afirma que “tomará todas as medidas legais e cumprirá o seu papel de acolhimento e suporte ao profissional enfermeiro que foi vítima desse ato “.

O Conselho de Alerta Ainda Que Profissionais Da Enfermagem Não Pertencem Que “Pessoas Inescrupulosas Maculem A Imagem Da Nossa Valorosa Profissão.”

O CRM-RR se manifestou, por meio de nota, que o cenário “não se mostra razoável e justo” porque apenas o médico foi apresentado “diante de conflito entre dois profissionais”. O CRM afirma que deve ser observado o contraditório e a ampla defesa.

“O CRM-RR repudia comportamento antiéticos entre profissionais e para com os pacientes”, diz o texto, afirmando que vai “tomar as providências legais, esclarecendo os fatos e apurando a conduta do médico.”

A Sesau informou que tomou conhecimento do ocorrido e que até que os fatos sejam apurados o médico atendido. A secretaria disse ainda que se o médico estiver lotado em outras unidades de saúde do estado necessário até que tudo seja apurado. Os dois profissionais serão ouvidos pela direção do hospital.

Uma secretaria destacou que orienta que toda equipe deve manter relações profissionais durante suas funções públicas. “A Sesau não compactua com nenhum tipo de conduta inadequada que desrespeite as normas da Administração Pública, durante as atividades profissionais, e sempre reforça entre os servidores a importância da ética profissional e da boa prestação dos serviços.”

 

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