MENOS DE 3 MIL PESSOAS: Oposição faz ato esvaziado contra Bolsonaro em Brasília

A escalada da tensão política levou manifestantes pró e contra o presidente Jair Bolsonaro às ruas neste 7 de Setembro. Em Brasília, os manifestantes contrários ao governo se concentram na Torre de TV, a cerca de 4 quilômetros do Palácio do Planalto, onde os apoiadores do presidente esperam Bolsonaro. De acordo com os organizadores, cerca de 3.000 pessoas estavam no ato às 10h45. Segundo a PM, havia 400 pessoas.

Os protestos contra o governo são organizados pela campanha #ForaBolsonaro e pelo Grito dos Excluídos e Excluídas. Também contam com a participação de partidos de esquerda e de centrais sindicais. Os organizadores calculam que há 205 atos convocados para esta 3ª feira (7.set.2021), sendo 197 em cidades brasileiras e 8 em cidades da Europa.

Em Brasília, o protesto começou por volta das 9h na Torre de TV, onde normalmente é realizado o Grito dos Excluídos no 7 de Setembro, com a arrecadação de alimentos. As doações serão entregues à Marcha Nacional das Mulheres Indígenas. Cerca de 4.000 mulheres indígenas, de 150 povos diferentes, devem chegar à capital federal hoje para participar da marcha, marcada para 5ª feira (9.set.2021).

A curta distância dos atos favoráveis ao governo, no entanto, deixou muitos manifestantes com medo de ir ao protesto e exigiu adaptações dos organizadores.

Os indígenas que já estão acampados em Brasília, por exemplo, desistiram de participar do protesto nessa 2ª feira (6.set.2021). Segundo o integrante da juventude indígena Bruno Xucuru, a decisão foi tomada para preservar a segurança e a integridade das mulheres indígenas. Xucuru contou que o acampamento dos índios foi invadido por uma mulher na semana passada e cercado por um veículo na noite dessa 2ª feira (6.set), o que exigiu a atuação da Polícia Militar.

Com a adesão limitada e o receio de confrontos com os manifestantes pró-Bolsonaro, os organizadores decidiram fazer um protesto curto e estático. A manifestação não vai sair da área da antena da TV. Tem carro de som e intervenções artísticas com a palavra de ordem “Feijão sim, fuzil não”.

“É um ato mais para marcar presença, para não ficar só o ato pró-Bolsonaro”, disse a secretária-geral do Psol-DF, Giulia Padini. Ela disse que o clima hostil criado em torno do 7 de Setembro afetou a adesão ao ato. “Eles podem ser maioria na rua hoje, mas na sociedade são minoria”, disse.

“Muitas pessoas estão com receio de vir. Além disso, os protestos contra Bolsonaro ocorrem em várias cidades do país. O ato pró-governo se concentra aqui em Brasília. Muitas pessoas vieram de fora para isso. Por isso, a desproporção”, afirmou a coordenadora do MTST, Camila de Caso.

A deputada federal Vivi Reis (Psol-PA) participa do ato contra Bolsonaro em Brasília. “O 7 de Setembro sempre foi um dia de luta das manifestações mais progressistas. Não podíamos deixar de fazer o ato e Brasília é o local com maior risco de enfrentamento. Existe uma ameaça muito forte por parte do governo Bolsonaro. Temos que defender a democracia e mostrar que não aceitamos política autoritária”, afirmou.

Irene Madeira, de 70 anos, participa todo ano com a Geração 68, grupo de militantes que enfrentaram o regime instalado no país em 1964. “Vivi a ditadura, por isso estou aqui. Quero um país livre e democrata. Não quero um país dominado por um fascista”, afirmou. Ela disse que “não se pode ter medo de resistir ao autoritarismo.”

Os manifestantes também carregam placas de “Fora Bolsonaro”, “Impeachment jᔓBolsonaro genocida e corrupto” e “Vacina sim”. Também há mensagens contra a alta da inflação e o agronegócio, que teria financiado atos pró-governo.

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