
Novo tarifaço deve atingir mais de 4.100 produtos brasileiros
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou nesta 2ª feira (6.jul.2026) que 4.187 produtos exportados pelo Brasil serão afetados caso os Estados Unidos implementem o tarifaço sugerido pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
A nova tarifa impactaria US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Os produtos afetados passariam a ter tarifa acumulada de 37,5%.
Os itens estão submetidos a uma tarifa adicional temporária de 10%, vigente até 24 de julho. Nesta semana, o USTR realiza audiências públicas em Washington para tratar de duas novas tarifas que os produtos brasileiros podem sofrer.
Uma investigação sugere uma sobretaxa de 25%, enquanto outra, sobre trabalho forçado, que inclui o Brasil, pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%.
Entre os principais produtos exportados para os Estados Unidos que podem ser atingidos, o Brasil é o principal fornecedor do mercado norte-americano em 11 categorias, segundo a CNI. São elas:
Ferro-gusa não ligado;
Açúcar de cana em forma sólida, bruto;
Sebo não comestível;
Álcool etílico não desnaturado;
Molduras de madeira padrão de pinho;
Tabaco curado por fumaça ou processado;
Peptonas e seus derivados;
Compensado de pinus;
Granito monumental ou de construção;
Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira;
Hidróxido de alumínio.
O prazo para um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos se encerra em 15 de julho.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou, em nota, que “a imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os 2 países”.
O embaixador brasileiro Roberto Azevêdo representará a CNI na audiência pública de 3ª feira (7.jul.), em Washington, sobre a proposta de tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Dos 80 inscritos para falar na audiência, 66 devem se posicionar contra a medida.
RESPOSTA DO GOVERNO BRASILEIRO
Em um documento enviado à Casa Branca, o governo brasileiro rechaçou os argumentos usados pelo USTR para justificar a tarifa adicional, mas não inscreveu representantes para discursar nas audiências.
A embaixada em Washington enviará representantes para acompanhar os debates só como observadores, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
SOBRE A INVESTIGAÇÃO
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O USTR concluiu que práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e combate ao desmatamento seriam restritivas ao comércio dos Estados Unidos.
