
O fantasma do segundo turno assombra o governo do estado
Há momentos em que a narrativa começa a denunciar o medo de quem a constrói. A política da Paraíba parece viver exatamente um desses momentos. Cícero Lucena, que largou na frente, perdeu espaço. Efraim Filho avançou e já aparece em segundo lugar nas pesquisas recentes, como a do Instituto AtlasIntel, consolidando uma disputa cada vez mais concentrada entre ele e Lucas Ribeiro.
Um fato curioso tem chamado atenção: a insistência de alguns jornalistas e blogueiros ligados à Secom, em vender de maneira insistente e repetitiva a tese de que Lucas venceria no primeiro turno. O curioso é que nenhum instituto de pesquisa aponta nessa direção.
O que se vê é a tentativa de transformar a vontade do grupo do governo em fato consumado. A mensagem é simples: criar a impressão de que Lucas venceria para produzir, no eleitor, a sensação de que não há mais disputa. É uma velha arma eleitoral mirada contra os indecisos.
Mas existe uma razão ainda mais evidente para tamanha preocupação com o primeiro turno: o segundo. Porque, se a eleição chegar lá com Efraim como principal nome da oposição, o cenário muda radicalmente. As candidaturas deixam de disputar entre si e a oposição se une, passando a ter um único endereço eleitoral.
Efraim não precisa vencer agora. Precisa continuar crescendo. E é exatamente esse movimento que começa a incomodar. No fim, a tentativa de vender uma vitória antecipada pode estar revelando justamente o contrário: o governo não teme tanto o primeiro turno. Teme o que pode vir depois dele.

