
Quando a corrupção cobra seu preço: Nego de Guri, que desviou milhões da educação, tem inelegibilidade confirmada pelo TRF-5
A decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) que manteve a condenação do ex-prefeito de Teixeira, Edmilson Alves dos Reis, conhecido como Nego de Guri, reforça um ponto inevitável: corrupção tem consequência. O caso não se trata apenas de uma disputa jurídica, mas de um escândalo que envolve desvio de milhões de reais em recursos destinados à educação, e que agora o mantém inelegível por oito anos.
Durante sua gestão, a prefeitura recebeu mais de R$ 3,4 milhões do FNDE para construir uma escola de 12 salas. A empresa contratada recebeu 85% do valor do convênio, mas apenas 44% da obra foi concluída. A discrepância não foi fruto de mero erro administrativo, mas de um esquema que envolveu fraude licitatória, empresa de fachada e repasse da execução a aliados políticos. O resultado foi um prejuízo milionário e a constatação de que o dinheiro público foi liberado sem a contrapartida do serviço.
A corte foi categórica: houve pagamentos indevidos, omissão na prestação de contas e dolo na conduta do então prefeito Nego de Guri. O que estava em jogo não era apenas a construção de salas de aula, mas a integridade da aplicação de recursos federais.
O desfecho político dessa história é a inelegibilidade de Nego de Guri. Suspenso de seus direitos políticos por oito anos, ele se soma à lista de gestores que tentam se manter em cena mesmo após condenações. Não é a primeira vez que enfrenta barreiras eleitorais: em 2024, já havia tido candidatura barrada por contas rejeitadas e confirmadas pela Câmara Municipal.
A decisão do TRF-5 reforça que, pelo menos nesse caso, o sistema funcionou. A corrupção detectada na execução de um convênio federal resultou em responsabilização concreta, e a inelegibilidade impede que o ex-prefeito volte tão cedo às urnas.
O episódio é simbólico porque mostra que práticas antigas de desvio de recursos não ficam impunes. Mais do que um processo judicial, é um lembrete de que corrupção custa caro: a obra não entregue, os cofres públicos lesados e a sociedade inteira prejudicada. No fim, Nego de Guri torna-se um exemplo do que acontece quando roubo e má gestão se encontram com a Justiça: o preço é a condenação, devolução de recursos e inelegibilidade.
Confira a decisão: NEGATIVA DO PROVIMENTO DE AÇÃO CONTRA NEGO DE GURI

