A torneira sem fundo de Nego de Guri e o seu legado de obras inacabadas em Teixeira

Teixeira vai aparecer na tela da TV Cabo Branco nos próximos dias. E não é pelo seu potencial, pela força da sua gente ou por alguma grande conquista coletiva. Infelizmente, mais uma vez o município vai ocupar espaço na imprensa por causa de uma vergonha monumental, uma ferida aberta que insiste em não cicatrizar: a escola de 12 salas no bairro Água Azul, uma obra que deveria ter sido entregue em 2016, mas que virou ruína, símbolo de desperdício, descaso e irresponsabilidade administrativa do ex-prefeito Nego de Guri.

E por quê? Porque o que era para ser uma solução para a educação se transformou num derrame de dinheiro público, uma obra que recebeu quase R$ 3 milhões, executou só 40% e ficou pelo caminho. Não existe mágica: ou o dinheiro foi usado irregularmente, ou foi mal administrado, ou foi pago sem estar feito. Nos três cenários, a resposta é igualmente revoltante.

É inconcebível que um gestor trate recursos públicos, especialmente da educação, como se fossem uma torneira infinita, aberta para jorrar dinheiro sem critério, sem fiscalização, sem respeito. Não são moedas de bolso. São recursos federais destinados a transformar o futuro de centenas de crianças, mudando a vida de famílias inteiras. É dinheiro sagrado, de convênio, carimbado, que Teixeira jamais poderia desperdiçar.

Mas desperdiçou. E a conta chegou.

A Justiça Federal apontou dano ao erário, pagamentos muito acima do que estava executado e irregularidades graves. A própria prefeitura, anos depois, confirmou que a escola ficou não só pela metade como ainda apresentou vícios estruturais insanáveis, exigindo praticamente uma reconstrução. O que era para ser esperança virou entulho. E um entulho extremamente caro.

No fim das contas, o resultado é um só: crianças ficaram sem escola, a cidade ficou sem obra e o dinheiro público ficou pelo caminho.

Quando falamos que saúde e educação são os maiores gargalos dos municípios brasileiros, não é exagero. O Brasil inteiro sofre para manter escolas funcionando, unidades básicas de saúde equipadas, profissionais recebendo dignamente. Aí aparece um gestor que recebe milhões em recursos federais e entrega abandono? É de embrulhar o estômago.

E não é só abandono. É falta de zelo, falta de compromisso, falta de vergonha.

É por isso que a nova temporada da série Obras Inacabadas tem tanto peso. A cada episódio, a população vê com nitidez aquilo que muitas gestões tentaram esconder por anos. A luz expõe o que a politicagem tentou empurrar para debaixo do tapete. E no caso de Teixeira, a exposição é necessária, urgente e pedagógica.

Porque é assim que uma cidade reencontra o rumo: nomeando o erro, responsabilizando quem errou e garantindo que isso nunca mais se repita.

Se a população não cobrar, se não houver indignação, se não houver memória, amanhã nasce outra obra inacabada, outro dinheiro que some, outra escola que nunca abre as portas. É por isso que a indignação não só é legítima, como essencial.

Teixeira não merece esse capítulo triste. Mas merece e precisa que ele seja contado, exposto e lembrado.

Para que a próxima geração, a que deveria estudar naquela escola que nunca ficou pronta, cresça sabendo que dinheiro público tem dono: o povo. E o povo não tolera mais ser tratado como idiota.

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