
Ponte do Futuro: quando o futuro desaba antes de ficar pronto
A “Ponte do Futuro” ganhou nesta segunda-feira um capítulo trágico que ninguém gostaria de escrever: um trabalhador morreu e outros dois ficaram feridos após o desabamento de uma estrutura durante a execução da obra. O Governo e o consórcio responsável afirmam que a estrutura definitiva da ponte não foi atingida e que o acidente ocorreu em uma estrutura provisória utilizada na montagem. A explicação técnica, porém, não diminui a gravidade do que aconteceu.
Uma estrutura de uma obra pública caiu. Havia trabalhadores nela. Um morreu. É preciso investigar com rigor o que provocou o acidente, quais protocolos de segurança estavam sendo cumpridos, quem fiscalizava o serviço e se havia alguma falha que pudesse ter sido evitada.
Não basta reconstruir a estrutura que caiu. É preciso reconstruir as respostas. A “Ponte do Futuro” foi anunciada como símbolo de desenvolvimento. Mas nenhum futuro pode ser construído tratando a segurança dos trabalhadores como detalhe de obra. O nome, hoje, soa quase como uma ironia cruel.
Antes de levar a Paraíba ao futuro, é preciso garantir que a obra não deixe vidas pelo caminho. E isso exige mais do que nota oficial: exige investigação, transparência e responsabilidade.

