
Pedro decolou no foguete de Efraim e quase virou governador, agora ensaia “jogada” para abandonar seu maior puxador de votos em 2022
A política paraibana tem assistido um movimento curioso protagonizado por Pedro Cunha Lima. Ao se preparar para anunciar apoio a Cícero Lucena na disputa pelo Governo do Estado, Pedro parece disposto a apagar da memória do seu agrupamento político um fato incontestável da eleição de 2022: ele só chegou onde chegou porque decolou no foguete de Efraim.
Antes do apoio de Efraim Filho, Pedro tinha imagem, discurso e o peso do sobrenome. Faltava o essencial numa eleição estadual: capilaridade, estrutura e musculatura política nos quatro cantos da Paraíba.
Efraim entrou em cena exatamente com isso. Candidato ao Senado, construiu uma base robusta, com cerca de 130 prefeitos em exercício, trânsito em praticamente todas as regiões do estado e diálogo com campos políticos diversos. Foi o nome capaz de ligar a direita, o centro e setores independentes num mesmo projeto.
Foi esse capital político que impulsionou Pedro. No primeiro turno, o gesto de apoio já foi decisivo. No segundo, Efraim foi além do gesto. Com o mandato de senador já garantido, foi às ruas, pediu voto, ligou, reuniu, costurou alianças e trabalhou diariamente para transformar Pedro em um candidato competitivo ao governo.
A adesão de boa parte da direita à campanha de Pedro não aconteceu por acaso. Lideranças do PL, quadros bolsonaristas e nomes como Cabo Gilberto só entraram de cabeça porque havia Efraim garantindo a articulação.
Efraim ainda tentou dar um passo adiante. Buscou articular o apoio do Republicanos no segundo turno, um movimento difícil, mas politicamente ousado. A tentativa não avançou, não por falta de empenho de Efraim, mas por falhas do próprio Pedro, que nunca conseguiu transformar apoio circunstancial em aliança sólida.
O resultado todos conhecem. Pedro quase virou governador. Chegou mais longe do que se imaginava meses antes da eleição. E chegou porque pegou carona num foguete que não era seu.
Agora, quando o cenário muda e Efraim também disputa apoios políticos, Pedro escolhe desembarcar e agir como se tivesse feito aquele caminho sozinho. É uma escolha política legítima, mas moralmente frágil. Apagar o passado não o torna menos verdadeiro. Pedro afirma ser contra privilégios e a favor de enxugar a máquina pública, então não deve barganhar cargos e espaços na prefeitura de João Pessoa.
Na política, alianças não são eternas. Mas a história é. E 2022 deixa uma lição clara para quem quiser lembrar: Efraim articulou e Pedro decolou. Fingir que isso não aconteceu diz mais sobre quem esquece do que sobre quem ajudou.

