
Solidariedade dos Carneiros vai pra quem? Irmãos estão divididos entre dois pastores
A novela dos irmãos Carneiros ganhou um novo capítulo e, desta vez, o enredo escancara o dilema de duas figuras do partido Solidariedade. De um lado está o deputado estadual Eduardo Carneiro, presidente da federação Renovação Solidária, que reúne Solidariedade e PRD. Do outro, seu irmão Fábio Carneiro, vereador de João Pessoa e presidente estadual da legenda.
Ambos fazem parte de rebanhos diferentes e tentam servir a dois pastores ao mesmo tempo. De um lado, os Carneiros acenam para o governador João Azevêdo e para o grupo governista, repetindo bravatas de fidelidade aos Ribeiros e ao projeto de Lucas Ribeiro. Do outro, mantêm-se confortavelmente instalados em secretaria e cargos na Prefeitura de João Pessoa, administrada por Cícero Lucena, que já não esconde sua rota de colisão com a candidatura ribeirista.
Eduardo, em entrevista recente, deixou claro que seguirá com Lucas e os Ribeiros. A escolha parece feita. Mas a dúvida persiste: Por que a demora dos Carneiros em entregar os cargos e espaços que controlam na gestão de Cícero?
A questão se torna ainda mais delicada quando se lembra que o partido Solidariedade, literalmente entregue de mão beijada por Aguinaldo aos irmãos Carneiros, com a iminente perda do comando da federação União Progressista dos Ribeiros para o senador Efraim Filho, Aguinaldo espera reciprocidade. Quem tanto ajudou os Carneiros espera de volta Solidariedade.
Até aqui, no entanto, a tal fidelidade permanece apenas no discurso. Na prática, o que se vê é o jogo tradicional de empurrar com a barriga. Os irmãos terão coragem de entregar os cargos ou seguirão atendendo a dois pastores?
A situação é delicada. Carneiro que segue mais de um pastor nunca sabe se vai pro curral ou pro churrasco.

