
Tacyana Leitão faz malabarismo administrativo para retardar posse de concursados em Bayeux
A novela do concurso público de Bayeux já virou rotina na cidade. De um lado, centenas de aprovados aguardando a convocação para assumir cargos conquistados em 2021. Do outro, a prefeita Tacyana Leitão administrando, com decretos e liminares, a suspensão das nomeações para impedir a posse de pais e mães de família que pagaram o concurso, fizeram a prova, foram aprovados e hoje imploram na justiça e nas redes sociais para serem nomeados.
O argumento oficial é que o certame apresenta irregularidades: falhas no curso de formação, indícios de vício na homologação, investigação na Câmara e apuração interna. Tudo legítimo no papel. Mas, enquanto isso, a realidade prática é outra: os concursados continuam em casa, e a prefeitura segue funcionando com um número elevado de milhares de contratados por excepcional interesse público.
Não é segredo que Bayeux tem hoje muito mais temporários do que efetivos, situação que já foi apontada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas como irregular. O problema não é só jurídico ou administrativo: a manutenção desse cenário, em pleno calendário pré-eleitoral, alimenta inevitáveis suspeitas. Afinal, contratos temporários rendem não apenas votos de confiança dentro da máquina pública, mas também podem se transformar em capital político em 2026.
O impasse, portanto, não se resume a questões técnicas do concurso. Ele expõe uma escolha política da gestão: adiar a entrada de concursados, mesmo depois de um edital homologado, e sustentar a engrenagem dos temporários. A narrativa da gestão de Tacyana vende zelo com a legalidade. Na prática, o que temos é tempo ganho para quem governa e perdido para quem estudou para o concurso e conseguiu ser aprovado.
Enquanto o debate segue nos tribunais e na Câmara, o desgaste cresce fora do poder. Os aprovados relatam frustração, adoecimento emocional e sensação de injustiça. É uma pressão que tende a aumentar, e que a prefeita terá de administrar.
Sobram manobras e faltam argumentos convincentes sobre o malabarismo feito pela prefeitura para retardar a posse dos aprovados.

