A caneta está com Lucas. O poder, com Aguinaldo

Lucas Ribeiro bateu no peito na CBN: “Quem manda sou eu. Eu sou o governador. A decisão é minha”. A frase envelheceu rapidamente. Na  convenção que deveria exibir força e autoridade, o governador chegou sem conseguir anunciar sequer o próprio vice. O impasse colocou de lados opostos o PP de Lucas e Aguinaldo Ribeiro e o Republicanos de Hugo Motta, após horas de reunião na Granja Santana. Contrariado, Adriano Galdino nem apareceu no evento.

Enquanto Lucas discursa sobre autoridade, Aguinaldo movimenta o tabuleiro. Eduardo Carneiro, nome ligado ao grupo do deputado federal, permanece entre os dois postulantes à vice. Daniella Ribeiro, irmã de Aguinaldo e mãe do governador, foi confirmada como primeira suplente de Nabor Wanderley. A caneta pode até estar no gabinete de Lucas, mas as peças parecem continuar sendo movidas pelo tio.

A fotografia resume o constrangimento: os caciques discutem na frente e Lucas espera lá atrás. Não é liderança. É tutela. Não é um governador conduzindo o grupo, mas um candidato balançando a cabeça, concordando, aguardando a família e os chefes da aliança decidirem o que fazer com a própria chapa.

No microfone, Lucas diz que manda. Nos bastidores, é Aguinaldo quem decide. E quando um governador precisa gritar que manda, quase sempre é porque todo mundo já percebeu quem manda de verdade.

 

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