CASO COVAXIN: Bolsonaro acusou Ricardo Barros de chantagem em votação em 1999

O caso Covaxin e o possível envolvimento de Ricardo Barros (PP-PR) nas negociações da vacina indiana colocaram em evidência a relação do congressista com o presidente Jair Bolsonaro. Atual líder do Governo na Câmara, Barros já foi acusado por Bolsonaro de ter feito chantagem contra o presidente quando ainda era deputado. A coluna de política do jornal O Globo expôs o desentendimento envolvendo os dois em 20 de janeiro de 1999.

Bolsonaro e Barros foram deputados juntos a partir de 1995 e companheiros de partido por 6 anos no PPB (Partido Progressista Brasileiro). No início de 1999, os dois congressista entraram em conflito sobre a votação de uma medida fiscal de interesse do governo de Fernando Henrique Cardoso, que estava em seu 2º mandato.

Na pauta, estava a cobrança da contribuição previdenciária de inativos e pensionistas. Barros teria pedido e chantageado Bolsonaro para que faltasse a votação, segundo noticiou O Globo. Na época, Barros negou as acusações, enquanto Bolsonaro disse ter gravado a conversa em que teria sido chantageado.

Desde o desentendimento naquele ano, Bolsonaro trocou de partido outras duas vezes, enquanto Barros continuou no PP e foi líder ou vice-líder na Câmara de Luis Inácio Lula da Silva e ministro da Saúde de Michel Temer entre 2016 e 2018. A sua proximidade com a pasta teria sido um dos motivos que fizeram Bolsonaro suspeitar de Barros, como indicou Luis Miranda (DEM-DF) em depoimento a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado.

Barros teria sido o nome citado por Bolsonaro quando soube possíveis irregularidades na compra da Covaxin, apresentadas por Miranda e seu irmão Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde. Ricardo Barros nega envolvimento no caso. “Isso é coisa do…“, teria dito o presidente e citado Barros ao saber das suspeitas de problemas no contrato da Covaxin.

O líder do Governo disse ser “ainda impreciso” o diálogo relato por Luis Miranda. “Do ainda impreciso diálogo com o presidente da República, na transcrição da CPI, o caso em questão seria sobre a empresa Global e a compra de medicamentos não entregues. Trata-se de processo judicial, em que provo a minha conduta em favor do SUS, quando fui ministro da Saúde”, disse em nota divulgada no domingo (27.jun).

Barros é alvo de processo por improbidade administrativa durante sua gestão no Ministério da Saúde envolvendo a contratação da empresa Global Gestão em Saúde. A companhia tem como presidente Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa. A Global deixou de entregar medicamentos comprados por R$ 20 milhões pelo Ministério da Saúde em 2017.

Nesta 3ª feira, o deputado disse querer “transparência” no caso e que “a cada entrevista do deputado Luis Miranda” fica evidente que as citações ao seu nome “não possuem embasamento”. No sábado (26.jun), Miranda indicou que teria como provar que Bolsonaro de fato citou o nome de Barros.

O Poder360 apurou que o líder do Governo deverá permanecer na função de confiança do Palácio do Planalto. Levantamento de casos anteriores, desde 2019, mostrou que Bolsonaro costuma minimizar acusações vindas de fora do seu núcleo enquanto recorre às exonerações para conter conflitos internos.

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