Conversas recuperadas de celular mostram que mulher de Moraes enviou contrato de R$ 131,2 mi a Vorcaro

A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, enviou pelo WhatsApp ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a minuta de um contrato de R$ 131,2 milhões em honorários advocatícios. O documento foi encaminhado em 17 janeiro de 2024 (4ª feira), às 10h09, segundo os jornalistas Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo, do Estadão.

A revelação integra uma investigação da Polícia Federal que apura o vazamento de informações sigilosas sobre a família do ministro Alexandre de Moraes. A conversa entre Viviane e Vorcaro foi recuperada do celular do empresário, apreendido em novembro de 2025 durante a 1ª fase da operação Compliance Zero.

Em mensagem enviada ao fundador do Master, na data do envio da minuta, Viviane escreveu: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço”. Vorcaro respondeu 5 dias depois, em 22 de janeiro (2ª feira), às 11h09: “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”.

Eis um dos registros da conversa:

A Receita Federal registrou pagamentos de R$ 80,2 milhões do Master ao escritório de Viviane ao longo de 2024 e 2025 |Reprodução/Estadão -Blog do jornalista Fausto Macedo

ENTENDA O CASO

Pelo contrato firmado em janeiro de 2024, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 3,6 milhões mensais ao longo de 3 anos pela prestação de serviços jurídicos ao Banco Master. Caso o contrato tivesse sido cumprido integralmente, os honorários totalizariam R$ 131.275.071,72 até o início de 2027.

A Receita Federal registrou pagamentos de R$ 80,2 milhões do Master ao escritório de Viviane ao longo de 2024 e 2025. Os pagamentos foram interrompidos com a liquidação do Banco Master. O valor de R$ 80 milhões já havia sido antecipado por este jornal digital em 9 de março, a partir de detalhes do contrato entre Viviane e o Banco Master.

O contrato entre a advogada e o Master nunca foi divulgado na íntegra. Dados parciais foram publicados pela jornalista Malu Gaspar em 9 de dezembro. A assinatura do contrato antecedeu a representação dos interesses da instituição junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.

Em nota divulgada, Viviane afirmou ter realizado 94 reuniões de trabalho com o Master, sendo:

  • 79 reuniões presenciais na sede do Master –duração de 3 horas cada uma;
  • 13 reuniões com a presidência do banco, sendo duas presenciais na sede do escritório de advocacia e 11 por videoconferência –duração aproximada de duas horas cada uma;
  • duas reuniões por videoconferência com o jurídico do Master –duração aproximada de 2 horas cada uma.

Em dezembro de 2025, o gabinete de Alexandre de Moraes declarou que o escritório de advocacia de Viviane nunca atuou na operação de venda do Banco Master para o BRB (Banco de Brasília).

O OUTRO LADO

O escritório Barci de Moraes Associados informou aos jornalistas do Estadão que não comenta tratativas envolvendo clientes.

Em março de 2026, a advogada declarou que a consultoria ao Master se concentrou na implementação de mecanismos de compliance e na revisão do código de ética e conduta da instituição.

A autora do Código de Ética do Banco Master é a advogada Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada de Alexandre de Moraes. Casada com o irmão do ministro, ela atua como consultora no escritório de Viviane Barci de Moraes.

  • você não deve – impedir que sejam utilizadas informações inverídicas e atividades de negociação fraudulentas pelo colaborador.

Deveria ser o oposto. A orientação correta seria dizer que se deve impedir o uso de informações inverídicas e atividades de negociação fraudulentas. Claramente foi uma falha na revisão do documento, que conta com a data de março de 2025 –nesse período, o escritório da mulher de Moraes já prestava serviços para o Master.

Em uma nota, o escritório afirmou que também elaborou 36 pareceres e opiniões legais sobre temas previdenciários, contratuais, regulatórios, trabalhistas, de compliance, proteção de dados e crédito. O contrato foi encerrado, segundo a manifestação, em novembro de 2025, com a liquidação extrajudicial do banco.

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