Presidenciável Renan Santos detona Lucas Ribeiro, acusa gestão de minimizar facções e cita aliados investigados

O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) subiu o tom contra o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP), e acusou o governo estadual de tentar minimizar a presença de facções criminosas na Grande João Pessoa. Em vídeo publicado nas redes sociais, Renan mandou o governador “baixar a bola” e afirmou que Lucas ainda ouvirá falar muito dele.

“O governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, me atacou. O motivo: eu demonstrei que João Pessoa e seus arredores estão tomados pelo crime organizado”, disparou. A reação ocorreu depois que a Secretaria de Segurança Pública contestou a ação em que Renan utilizou uma retroescavadeira para retirar o que classificou como uma barricada instalada por criminosos no Grotão, em João Pessoa. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ronildo, afirmou que havia apenas lixo e entulho no local. A pasta também declarou que o enfrentamento às facções envolve inteligência, planejamento e operações policiais, indo “muito além da retirada de entulhos”.

Renan rebateu dizendo que a nota não apaga os sinais da atuação criminosa nas ruas. “O problema é que a barricada estava lá. O problema é que as pichações estão lá. O problema é que os assaltos estão lá, os assassinatos estão lá. Quer achar o que eu fiz ridículo? Então vai lá e faça melhor: use a polícia e destrua o crime”, afirmou.

O presidenciável também desafiou o governo a retirar câmeras que, segundo ele, seriam utilizadas pela facção Okaida para monitorar áreas de Santa Rita. “Isso está na imprensa, as matérias existem. Ou vai falar que a imprensa produziu fake news?”, questionou.

Durante a fala, Renan afirmou que a Paraíba registra entre 28 e 30 homicídios para cada 100 mil habitantes. O dado mais recente do Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta uma taxa de 24,6 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2025, ainda acima da média nacional de 19,1. O índice paraibano, contudo, apresentou redução em relação ao ano anterior.

Renan ainda levou o confronto para o campo político e citou os casos envolvendo aliados do grupo governista em Cabedelo. André Coutinho, apoiado pelo PSB de João Azevêdo na eleição de 2024, teve o mandato cassado pelo TSE por abuso de poder, compra de votos, coação de eleitores e utilização da máquina pública em um esquema com participação de integrantes de facção criminosa.

O sucessor, Edvaldo Neto, que declarou apoio a Lucas Ribeiro e João Azevêdo, foi afastado dois dias depois de vencer a eleição suplementar. Ele é investigado em uma operação que apura fraudes em licitações, desvios de recursos e possível financiamento de organização criminosa. A defesa nega qualquer vínculo com facções.

“Baixa a bola. No meu governo nós vamos destruir as facções criminosas, gostem vocês ou não. Lembre-se sempre do meu nome, que vocês vão falar bastante dele, senhor governador. Meu nome é Renan Santos e eu sou candidato a presidente da República”, concluiu.

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