
Três convenções, três projetos e uma disputa que começou antes da campanha
As convenções partidárias encerraram a fase das articulações políticas e abriram oficialmente a corrida pelo Governo da Paraíba. Mais do que homologar candidaturas, os três eventos serviram para medir organização, capacidade de mobilização e, principalmente, a narrativa que cada grupo pretende apresentar ao eleitor.
Cada candidatura escolheu um caminho diferente.
Efraim Filho decidiu antecipar sua convenção para o domingo. Já Cícero Lucena e Lucas Ribeiro deixaram seus eventos para o último dia do calendário eleitoral. A estratégia de cada um acabou influenciando diretamente a repercussão política da semana.
O PL saiu na frente no tempo e também no noticiário. A convenção de Efraim reuniu um grande público, aconteceu dentro da programação prevista e teve como eixo central um discurso firme de mudança e preparo para administrar o estado. A presença do presidenciável Flávio Bolsonaro, que o apresentou como candidato ao Governo da Paraíba, deu projeção nacional ao evento e reforçou sua identificação com o campo conservador.
A imagem transmitida foi de organização, planejamento e unidade dos candidatos do PL. Ao acontecer antes das demais, a convenção também ocupou praticamente sozinha o debate político durante os primeiros dias da semana.
Cícero Lucena, por sua vez, procurou marcar sua fala com um discurso contra o governo estadual. Antes a principal mensagem era a necessidade de “mudança”, agora passou a enfatizar a ideia de “melhorar” a Paraíba. A convenção também apresentou a composição da chapa. Embora tenha sido definida, a escolha pelo nome de André Gadelha para o senado ainda enfrenta resistências dentro do grupo e apresenta dificuldades em conquistar apoios.
Ao optar por realizar sua convenção no mesmo dia do evento do grupo governista, Cícero acabou dividindo a atenção do noticiário. Enquanto seu discurso buscava concentrar o debate na crítica ao governo, o ambiente político também estava voltado para os acontecimentos da convenção governista.
Já Lucas Ribeiro realizou uma convenção com a missão de demonstrar unidade da base governista num projeto de continuidade da atual gestão. No entanto, alguns episódios acabaram dividindo a atenção. O atraso da chegada da principal comitiva gerou inquietação entre os presentes antes mesmo do início do evento. Em seguida, o longo discurso de Daniella Ribeiro, que mandou diversos recados políticos, alimentou interpretações sobre o clima atual na base.
Também repercutiu as ausências de Adriano Galdino e Murilo Galdino após as discussões sobre a indicação do nome do vice da chapa, além da retirada da militância de Pocinhos da convenção. Somados, esses fatos passaram a dividir espaço com a própria mensagem que a campanha pretendia transmitir.
Além das estratégias de cada convenção, outro aspecto merece observação.
O marketing do governador parece atravessar uma crise de criatividade. Em vez de apresentar uma comunicação capaz de defender sua própria identidade, passou a importar discursos, símbolos, cores e bandeiras que se tornaram marcas da campanha de Efraim Filho e do eleitorado de centro-direita. Na política, copiar a identidade do adversário raramente transmite força. Na maioria das vezes, confunde o próprio eleitorado e passa a impressão de que o candidato tem dificuldade de construir uma identidade própria, consistente e autêntica.
As convenções não elegem candidatos, mas costumam produzir as primeiras impressões da campanha. E, ao final da semana, os três grupos deixaram mensagens distintas: um apostou na antecipação e na organização, outro procurou reforçar o discurso oposicionista e o do governo buscou demonstrar unidade em torno da continuidade administrativa.
As convenções terminaram. A campanha começou. E, como toda boa campanha, quem domina a narrativa larga na frente na disputa pelos votos.

