
Brasil registra mais de 2 vídeos virais de IA sobre política por semana e Lula é quem mais aparece
De fevereiro a junho de 2026, pelo menos 40 vídeos criados por inteligência artificial sobre o cenário político-eleitoral brasileiro viralizaram nas redes sociais do país, uma média de 2 vídeos por semana. Os dados são da pesquisa A IA do Nosso Feed, realizada pela Agência Lupa em parceria com a Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), divulgada nesta 4ª feira (12.ago.2026).
Os principais conteúdos publicados foram deepfakes de pessoas famosas declarando apoio ou pedindo voto para determinados candidatos, pesquisas eleitorais falsas apresentadas por avatares criados por IA e vídeos de humor e sarcasmo usando a imagem de candidatos.
A pesquisa monitorou feeds no Instagram, Facebook, X, TikTok e WhatsApp e separou vídeos que levantaram suspeitas de terem sido criados por ferramentas de IA. A coleta foi espontânea, sem direcionamento de temas ou perfis.
Foram coletados 226 vídeos e imagens considerados suspeitos. Desses, 101 foram identificados como criados por inteligência artificial, e 40% eram relacionados à política.
Lula é o mais usado em vídeos de IA
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o político que mais apareceu nos conteúdos criados por IA registrados pelo estudo, em 17 vídeos. A imagem do petista foi utilizada em vídeos com tons humorísticos e em vídeos falsos em que ele prometia cortar aposentadorias e prender opositores.
Lula é seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), que aparece em 16 dos vídeos analisados. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apareceu em 8 vídeos. Sua imagem foi utilizada para promover a candidatura de seu filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
Dificuldade de detectar IA
Segundo a Agência Lupa, o estudo indicou limitações nas ferramentas disponíveis para identificar conteúdos criados por inteligência artificial. A empresa relata que, em 20 casos testados, a imagem ou o vídeo recebeu diagnósticos diferentes sobre o uso de IA em sua criação.
A agência afirma que 226 conteúdos foram considerados inicialmente suspeitos, mas 125 permaneceram inconclusivos porque não foi possível confirmar ou descartar o uso de IA na criação do conteúdo.
Segundo Beatriz Farrugia, analista de Pesquisa da Lupa e responsável pelo estudo, existe hoje “um descompasso entre a velocidade com que as ferramentas de geração de IA avançam e a capacidade de detectar aquilo que elas produzem”. A pesquisadora afirma que “não existe uma solução simples” para verificar a autenticidade de vídeos nas redes sociais.
Farrugia considera “uma fragilidade preocupante” a possibilidade de um conteúdo criado por IA viralizar rapidamente sem a devida fiscalização.
