
Quem era Ícaro Flávio? PM morto em confronto em Santa Rita
Faltava pouco para o soldado Ícaro Flávio Alves da Silva, de 30 anos, completar dois anos na Polícia Militar da Paraíba. A carreira que ainda começava foi interrompida nesta quinta-feira (13), após o policial ser baleado na cabeça durante uma operação no bairro do Açude, em Santa Rita, na Grande João Pessoa.
Além da farda, Ícaro deixa uma história construída ao lado da família. Era casado, pai de um menino de apenas 4 anos e, segundo pessoas próximas, havia encontrado na Polícia Militar uma profissão que exercia com entusiasmo.
No velório, realizado no bairro de Jaguaribe, em João Pessoa, Cícero Silva, tio do policial, falou sobre o sobrinho em meio à dor da despedida.
“Amigo, irmão, presente na família, apesar de pouco tempo de casado, mas muito responsável”, contou Cícero.
O tio lembrou ainda de uma das últimas conversas que teve com Ícaro. Cerca de duas semanas antes da morte, o policial esteve na casa da família e falou sobre a profissão.
“Ele amava muito. Fazia pouco tempo que estava na PM, mas gostava muito. Ele esteve um dia lá em casa, umas duas semanas atrás, conversando com a gente, muito satisfeito”, relatou.
Para Cícero, a morte deixa um vazio difícil de explicar.
“É um sentimento que não tem nem palavras. Sinceramente, é uma perda irreparável, porque esse menino é show de bola.”
Sonho de ser policial começava a se transformar em carreira
Ícaro ingressou no Curso de Formação de Soldados em 2024 e atuava no 7º Batalhão da Polícia Militar, com sede em Santa Rita. Na próxima semana, completaria dois anos desde o ingresso na corporação.
A lembrança deixada entre os companheiros de farda também é de alguém dedicado à profissão.
O major Cahue descreveu Ícaro como um policial de “conduta ilibada”, prestativo, de “grande coração” e entusiasta da atividade policial.
O velório começou por volta das 16h desta quinta-feira e reuniu familiares, amigos e integrantes da Polícia Militar. A família pediu que as imagens dos parentes fossem preservadas durante a despedida. O sepultamento está previsto para as 9h desta sexta-feira (14), em Bayeux.
Ícaro foi atingido durante operação em Santa Rita
A ocorrência começou ainda durante a madrugada, quando equipes policiais realizavam uma operação no bairro do Açude.
De acordo com o tenente-coronel Alcântara, as equipes foram surpreendidas por homens armados e houve uma intensa troca de tiros. Ícaro acabou atingido na cabeça.
O policial foi inicialmente socorrido para o Hospital Metropolitano e posteriormente transferido para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. Ele não resistiu aos ferimentos.
Na primeira fase da operação, seis pessoas foram detidas, sendo três adultos e três adolescentes. Dois suspeitos também foram baleados. Um deles morreu após ser levado ao hospital e outro, de 32 anos, permanecia internado em estado grave.
Polícia amplia operação após morte do soldado
Mesmo após o confronto, as equipes permaneceram no bairro do Açude. Segundo o tenente-coronel Alcântara, a atuação policial seria intensificada após o ataque contra os agentes de segurança. O oficial afirmou que a região é alvo de disputa entre grupos criminosos.
Ao longo desta quinta-feira (13), novos suspeitos foram localizados e mais armas apreendidas.
Em uma das etapas da operação, três pessoas foram conduzidas à delegacia, entre elas um adolescente. Os policiais apreenderam um fuzil calibre 5,56, uma pistola e um revólver, além de duas câmeras de segurança.
Segundo o major Cahue, somente a perícia balística poderá confirmar se alguma das armas apreendidas foi utilizada no confronto que terminou com a morte de Ícaro. O militar explicou, porém, que os policiais ouviram disparos que poderiam ter partido de uma arma de grosso calibre durante o confronto.
O major informou ainda que não houve resistência nem nova troca de tiros durante essa etapa da operação.
Família se despede enquanto operação continua
A movimentação no velório aumentou durante a tarde e a noite. Colegas de profissão se juntaram aos parentes para prestar as últimas homenagens ao soldado.
Enquanto isso, policiais continuaram fazendo buscas no Açude, procurando suspeitos, armas e munições.
“É uma perda irreparável”, afirma tio da vítima, que, em entrevista deixou claro que definir a dimensão dessa ausência ainda é difícil.
É a do marido, do pai de uma criança de 4 anos, do sobrinho que havia visitado a família poucas semanas antes e falava satisfeito sobre a profissão que escolheu.
